“Tô fora de gente desesperada, ainda que eu seja quase uma.”
Há um tempo atrás, mais precisamente em novembro de 2010, eu tava sem nada pra fazer e resolvi entrar em um bate papo online, mas daqueles que você fala com gente do mundo todo. Não consigo nem inumerar quantos convites para verem meus peitos e se eu estava buscando algum online sex eu recebi né. Mas no meio de tanta gente doida eu conheci o B. Nos demos bem logo de cara, principalmente por ele não pedir pra ver meus peitos como todo mundo. Ganhou mil pontos comigo não pelo fato de ser americano e viver em LA, mas por saber que a capital do Brasil é Brasília e que aqui se fala português e não espanhol.
Conversa vai, conversa vem trocamos e-mails. Fofo, super simpático, com um senso de humor maravilhoso desde o começo, os meses foram se passando e cada vez trocávamos mais e mais emails, até o dia em que fizemos um upgrade e fomos para o Skype. Tudo muda quando você passa a ouvir a voz da pessoa e ao mesmo tempo ver todas as expressões dela pela webcam.
Em Janeiro de 2011, na comemoração do aniversário de uma das minhas melhores amigas em uma boate em Copacabana eu conheci o R que é alemão. Acontece que ele chegou na boate meio tarde e eu tava saindo muito cedo (amigas bêbadas que encurtam a sua night agindo nas piores horas). Mas isso não nos impediu de dançar, nos conhecer e só na hora de ir embora mesmo que rolou beijinho. Um amor de pessoa, pegou meu Facebook e assim que eu cheguei em casa, 4 da manhã, já tinha uma notificação de amizade.
Nos conhecemos num sábado e ele já quis me ver domingo. Não ia sair com um cara, ainda mas gringo, um dia após ter o conhecido. As coisas não são assim, pelo menos pra mim. Gringos na maioria das vezes tem uma visão meio biscate das brasileiras e eu não sou assim. Marcamos de tomar café segunda-feira de manhã, em um restaurante na praia. Foi simplesmente ma-ra-vi-lho-so. Sabe aquela mesa de café da manhã da Carminha? Pão, ovo mexido, torrada, fruta, geléia, biscoito, suco, TUDO? Pois bem. Fui tratada como uma princesa. Passamos o dia na praia, só nós dois, conversando e conversamos muito. Ele me contou que assim como eu cogitou fazer medicina mas mudou para administração. O assunto não acabava, era interminável, passando por família, futuro, infância, profissões, tudo!
Era uma segunda e nós só fomos nos encontrar novamente no domingo, o dia em que ele ia embora. Fui até aonde ele estava, ficamos juntos, bebemos vinho e no final do dia ainda o ajudei arrumar as malas. Imagina uma pessoa fofa, que te viu 3 vezes na vida mas te apresentou aos amigos, andou de mãos dadas contigo e te cumprimentava com um selinho. Dei uma mini jabulani pra ele de presente, que ele até hoje guarda em uma prateleira no escritório lá na Alemanha. (♥)
O tempo passou, chegou fevereiro e o B me mandou um presente de aniversário. Totalmente surpresa! Achei fofo no último grau! A gente continuava a manter contato sempre, assunto com a gente nunca acabava. Já me ferrei sério uma vez com essa história de conhecer alguém, me apaixonar e a pessoa ter que ir embora depois, então com o R apesar de eu ter passado 3 dias sendo tratada como uma princesa, tentei segurar a onda porque sabia que ele iria acabar voltando pra Alemanha. Ele voltou, eu fiquei bem, foi só um summer love que não ia subir a serra. Mantivemos contato no Face, por Skype, até o dia que ele me adicionou no BBM. Passamos a conversar todos os dias, não tinha um dia que eu acordasse e não encontrasse uma mensagem de bom dia no meu celular.
Daí em diante eram mensagens todos os dias, o dia inteiro até que eu cai na armadilha e eu acabei gostando de verdade. Agora eram duas pessoas com quem eu conversava, super diferentes uma da outra mas ao mesmo tempo super fofas e que me faziam muito bem.
O B sempre fofo, não teve um dia que eu me decepcionei ou me desapontei. O R tão diferente do B, mas fofo. A diferença é que o B não tem Facebook e o R tem. Ou seja, fato de que eu fuxicava o R todos os dias, e isso não me fez nada bem. Ciúmes é algo que você não controla e eu não consegui controlar o meu. Lógico que em momento algum cobrei nada ou dei um ataque, não tenho esse menor direito, mas nada me impede de SENTIR. Ciúmes, insegurança… Se vocês vissem cada amiga alemã gata que ele tem, gente!!!!
E o R ainda é de lua. Trabalha muito o bichinho gente, ele é COO (abaixo do dono apenas) de uma empresa de tecnologia e o nosso fuso horário ainda não colabora muito. Então eu ficava 2 semanas sem msgs, as vezes 1 semana sem notícias porque a pessoa trabalhava demais e não tinha tempo. Ou tava trabalhando e me respondia com uma risadinha ou algo que não agregasse valor algum. Sim, isso me chateava, me deixava insegura, perdi a conta de quantas vezes eu disse “não vou mais correr atrás” e dois dias depois já estava mandando mensagem “I miss you”.
Até que o tempo passou, o B instalou whatsapp e olha eu de novo trocando sms! Essas mensagens são a maior prova de que proximidade não tem nada a ver com a distância. Que não precisa estar junto para se estar perto.
O B é fofo, faz a linha príncipe da Disney, mas daqueles antigos, cavalheiros, que se interessa não só por mim mas como pelas coisas que me cercam. Meus amigos, minha faculdade, minha família. Faz todo aquele estilinho romântico clássico.
O R é lindo, faz a linha príncipe moderno, que tem uma carreira igual a sua, pensa as mesmas coisas que você, ouve as mesmas músicas que você, gosta das mesmas coisas que você, fez a faculdade que você tá cursando, tem a vida que você pensa em ter quando se formar. Faz a linha moderno e independente.
E aí que você fica oscilando entre um e outro e toda noite antes de dormir reza pro papai do céu te mandar um alguém que seja meio termo entre esses dois e acima de tudo BRASILEIRO.
Aí que Papai do Céu te escuta e põe no seu caminho tudo aquilo que você sempre quis! Um pouco de B, um pouco de R, uma equação e que B + R = C! C era maravilhoso. Inteligente, bem humorado, faz sua faculdade e além de tudo carioca da gema. As coisas começam com olhares que não havia a menor possibilidade de serem desviados ou evitados. It’s a force field. Sabe quando você sente a presença de alguém? Pois bem. Até que vocês começam a conversar e ele se demonstra ser uma pessoa interessante e maravilhosa. Você vai colhendo pistas e dicas. A pessoa vai te dando aqueles sinais positivos. Quando de repente o príncipe se mostra ser na verdade um sapo! Um sapo horrível e interesseiro. Daí você novamente pratica o desapego, até que o sapo que fica oscilando entre príncipe e sapo, príncipe e sapo. Não nasci pra isso, como diria a Tati Bernardi “Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma violência contra a minha inteligência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: eu te quero. Você me quer? Não sabe? Ah, então vá pra puta que te pariu. (E vá ser vago na casa da sua mãe porque embaixo da sua manga eu não fico mais!”
E é com as palavras da linda da Tati que eu termino de contar um capítulo dessa história louca que é a minha vida. “Dói mesmo, eu me apaixono mesmo, sou intensa mesmo, eu me ferro mesmo, às vezes eu ferro as pessoas mesmo. Tudo é bom, tudo é vazio, tudo é bom de novo. Viver é um absurdo e não dá pra passar por isso tão ileso.”
Ainá Paiva











